sábado, 31 de maio de 2008

Os três macacos!

E eis o que acontece a respeito das barreiras lingüísticas:

Créditos a Nubja Letsen (Afeganistão): http://ceciliakajcecilia.blogspot.com/

sábado, 24 de maio de 2008

União Européia e as Línguas

Acredito que você, leitor, já tenha escutado falar na Europa (caso nunca escutou, favor desligar a TV, deixar de ver a novela de mutantes da Record, ou a de "movimento estudantil" da Globo, e vá ler qualquer coisa, nessas horas de desespero até a wikipédia serve). Vários países, uma variedade cultural riquíssima, cidades, museus, arquiteturas peculiares, vinhos, azeite, praias espanholas (a Daniela Cicarelli tem boas histórias de lá, heheh), ilhas gregas, alpes suíssos, baladas de Praga, fiordes da Escandinávia... Acredito que não exista alguém que não tenha pensando por um minuto em "fazer a Europa" nas férias, estudar lá por um tempo, fazer intercâmbio... Dar uma passeada por lá, cruzar vários países pequenos (alguns do tamanho de uma cagadinha de mosca no mapa-múndi), muitos com línguas diferentes entre si... Línguas diferentes? Puuuuta merda, é mesmo! Situação inusitada e embaraçosa, não? Ainda mais para nós brasileiros acostumados a viver num país gigantesco que fala essencialmente uma só língua, adicionando o fato de que nossos países vizinhos falam uma língua parecida com a nossa, o que facilita o entendimento sem o estudo prévio. Mas alemão, basco, húngaro, romeno, norueguês, entre outros, são mesmo para matar o pião, não é mesmo? Isso me fez lembrar uma amiga esperantista que tenho, Aldona Ubik, que por acaso nasceu na Polônia mas mora com a família já há um bom tempo na Alemanha, perto da tríplice fronteira com a Suíça e a França. Ela me falou da jornada diária dela, o que me fez ficar de cara: acorda na Alemanha, toma café com a família, e vai trabalhar na Suíça (que já é uma miríade de línguas e dialetos). Terminado o serviço, vai para a faculdade na França, onde cursa economia! Muito se fala, com a União Européia em vigor, em acabar com as fronteiras, mas ao meu ver a política de acabar com as fronteiras não pode ser algo apenas relativo às tarifas alfandegárias ou à entrada e saída de pessoas, é preciso uma política democrática que vise a comunicação, e que cada nação adquira ônus e bônus semelhantes.
O que se vê, desde os tempos mais primórdios é a imposição de uma língua sobre outras... No período Helênico era o grego, nos tempos do Império Romano era o latim, nos tempos dos nossos pais e avós era o francês, na União Soviética era o russo (e o papel de influência do russo ainda é bem grande no leste europeu, principalmente os países bálticos - Estônia, Letônia e Lituânia), e hoje em dia, principalmente no nosso mundinho ocidental, devido ao prestígio econômico, político e bélico inicialmente da Inglaterra e agora dos EUA, o inglês figura como a língua balcânica (eu explico: não dos Bálcãs, mas de balcão mesmo. Do balcão de aeroporto grande, de balcão de hotel, de balcão de grandes corporações estrangeiras, etc). E aí, como a União Européia responde a isso? Bom, a UE possui 23 línguas oficiais e adota uma política de "igualdade e diversidade", ou seja, pelo menos no papel o inglês possui o mesmo valor que o húngaro, o francês o mesmo que o polonês, assim como o sueco e o alemão, implicando que todo e qualquer documento emitido por um país deve ser traduzido para as línguas alheias, o que possibilita 506 combinações possíveis de línguas (23 x 22, acabei de conferir na calculadora!). Todo o país também tem direito de usufruir as seções de reuniões traduzidas para pelo menos um dos seus idiomas oficiais, o que provoca um caos terrível (haja cabine tradutora!) e tal trabalho de tradução simultânea é muito desgastante para o tradutor, demandando então mais tradutores. Tudo isso vai no orçamento do cidadão europeu de um país-membro, dos suecos aos romenos. Como um quase-geógrafo, eu poderia desenvolver nesta coluna algo no tocante ao gasto de papéis em toda essa operação de traduções de documentos, passando pelo processo poluidor de branqueamento de celulose (e lembro-vos que o Brasil através da Aracruz e amiguinhas é um grande exportador de papel e celulose para os EUA e Europa), das árvores cortadas, do mal que a silvicultura de pinus e eucalipto faz, mas paro por aqui, só peço ao Sr. vegetariano militante para tirar só um pouquinho os olhos direcionados aos comedores de carne que sustentam o desmatamento provocado pela pecuária através da picanha no forno e reflita sobre o que eu disse! Pronto mãe, pode comer a sua picanha, mas deixe um pedacinho pra mim! Gostaria de desviar um pouco o viés desta prosa: alguém aqui já pensou como é difícil achar um tradutor húngaro<=>sueco? Ou tcheco<=>grego? Pois é, né? Aí o que os espertos (leia: países de línguas majoritárias) fazem? Arranjam desculpas para privilegiar suas línguas, usando o prestígio político que elas já têm por motivos históricos.
O engenheiro e economista Leonard Orban (fig. à direita), responsável pela cadeira sobre multilingüismo na UE desde 2006, já confessou que coisas mais urgentes são traduzidas apenas para algumas línguas em detrimento de outras. O próprio também afirmou, sem cerimônias, que na prática algumas línguas deverão mesmo ser naturalmente "mais oficiais" que outras. E pasme, quando indagam pelo esperanto - um idioma neutro, de gramática, pronúncia e conjugações verbais regulares, além de barato de aprender - como língua-ponte, o que acarretaria maior igualdade e menores custos no orçamento, já que a cada novo idioma no bloco as combinações crescem em progressão geométrica, Orban é radicalmente contra, se contradizendo falando que deve-se prezar a diversidade lingüística e que o esperanto a ameaçaria, além de dizer que todas as línguas da União Européia são iguais juridicamente, dizendo que no bloco a igualdade entre as línguas é uma realidade! Tal comportamento seria compreensível, apesar de igualmente repugnante, se ele fosse nativo de um país de idioma oficial prestigiado, como é o caso do inglês, francês ou alemão, mas se trata de um romeno, ou seja, nascido num país bastante pobre (apesar do IDH de 0,805 no ano de 2006 para inglês ver), que possui uma diáspora de refugiados pedintes em vários países do mundo, tendo um idioma oficial que possui um prestígio ínfimo, bombardeado cada vez mais por influências eslavas (que em contexto de UE já não são grandes coisas).
Poderio lingüístico é algo que dá dinheiro, e os países por cima da carne seca não querem largar o osso. A Inglaterra, segundo meu antenado amigo esperantista e ex-professor de inglês e alemão Emilio Cid, ganha mais dinheiro em cima do "sonho de ser cidadão do mundo" vinculado à língua inglesa - através de franquias de escolas de idiomas, intercâmbios, certificações de Cambridge, etc - do que em cima da exploração de petróleo no mar do Norte. O próprio British Council já está articulando um curso gratuito na rede mundial de computadores, suspeitosamente devido à ameaça do chinês e do espanhol (neste caso mais especificamente nos EUA) à soberania anglófona, fora o prestígio bem maior da variação diatópica (leia: grafia e "sotaque") e do modus vivendi americanos em relação aos britânicos. É a velha tática do "vão-se os anéis e ficam-se os dedos". Porém, o Sr. Orban talvez não percebe que culturalmente nenhuma língua é inferior à outra, nem poderia ser menos privilegiada que outra, e se porta como conivente da atual situação perversa mesmo se tratando de um romeno, utilizando como muletas a contradição e o senso comum. Que papelão, heim Sr. Orban!

Retirado integralmente do meu blog pessoal Opiniões do Queiroz.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Esperanto é popular em festival de línguas da China!

O primeiro Festival de Línguas na China atraiu mais de 13500 pessoas, promovendo mais de 250 mini-cursos de mais de 72 línguas ou dialetos: destes, os mais visitados foram a língua inglesa com aproximadamente 2000 visitantes, o esperanto com 1462, a língua coreana com 1249, a francesa com 1153, a japonesa com 1043, a árabe com 638 e a espanhola com 530. Mas o público se interessou por várias outras línguas, e quase todas tiveram pelo menos dezenas de alunos. O evento provocou numerosos artigos e reportagens nos meios de comunicações de massa do país e, em pelo menos nove colunas de jornais, cinco programas de TV e algumas transmissões de rádio, esperantistas tiveram espaço para falar da língua internacional planejada. Nos meios de comunicação de Nanjing e circunvizinhanças a palavra "esperanto" foi favoravelmente mencionada muitas vezes. Possivelmente, para muitos chineses, pela primeira vez escutaram sobre o esperanto.
Para nós, esperantistas, o evento teve grande saldo positivo, já que o esperanto esteve somente atrás do inglês - idioma que goza prestígio mundial principalmente devido a situação, comportamento, e investimentos de seus países falantes - como língua mais procurada e popular.
O esperanto no festival acabou por ser um chamariz aos cursos presenciais, aos cursos à distância, e aos clubes esperantistas.
Segundo o diretor do Festival, Dennis Keefe, possivelmente foi atingido um novo recorde mundial quanto ao número de alunos de esperanto presentes num único evento. Para todo este sucesso, deu uma grande contribuição a atual vice-diretora da cadeira de Linguística Aplicada da Universidade de Nanjing, Cui Jian Hua. Por proposta sua, a universidade vai agora empregar professores que, além da sua língua materna, possam também ensinar esperanto.
Tal estratégia se relaciona com outro lado de sua estratégia mais geral: criar vários programas que utilizarão o esperanto como algo central. Por exemplo, Cui Jian Hua já prepara uma proposta para um ano inteiro, que consiste em promover um estudo de 500 horas de esperanto para facilitar o aprendizado das línguas européias para chineses. Ela também pesquisa a possibilidade de de lançar um novo programa sobre turismo utilizando o esperanto. E para finalizar, algumas pessoas consideram a possibilidade de iniciar um centro universitário para educar e treinar professores de esperanto para toda a China.

Fonte: LiberaFolio [http://www.liberafolio.org]

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Morre o eminente esperantista suíço Claude Piron

Pessoal, me desculpem a franqueza, mas estou chateado, puto! Um dos esperantistas mais brilhantes (foto à esquerda) do mundo faleceu... Morreu! Não quero vir com a hipocrisia mundana de que toda a pessoa que morre vira boazinha, não, não é este o caso. Claude Piron era realmente um "boa praça" e esperantista que servia de exemplo para todos. Muito criativo, foi responsável por várias obras esperantistas que faz o mais "anti-esperantista" bufar de raiva depois de tirar as calças e pisar em cima: o "Gerda Malaperis", um dos mais famosos livros de estória em esperanto (um romance policial) que ao mesmo tempo é um curso para alunos que já tiveram vivência anterior ao esperanto; o "Psikologiaj Reagoj al Esperanto", traduzido ao português, que dichava várias críticas de senso comum ao esperanto, leitura obrigatória para qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa; "La lingva defio", também traduzido ao português e excelente leitura; vários livros conhecidos como "serio Ĉu"; entre outros livros, artigos, composições musicais, poemas, etc. É claro que foi uma das minhas influências como esperantista.
Sim, pessoal, é o senhor bem humorado de um dos vídeos de tempos atrás postado aqui (desce que você vê), acessível para todos, permitindo inclusive que transformasse seu livro "Gerda Malaperis" em um filme (fig. no topo direito). Poliglota, sempre rebateu críticas ao esperanto vindas de todo o mundo. Foi psicólogo, professor universitário, e trabalhou na ONU, UNESCO e OMS como tradutor inglês-francês, chinês-francês, espanhol-francês e russo-francês, tendo atuado na Europa, Ásia e África. Mas com esse quilate todo faleceu, deixando nós esperantistas órfãos de um certo modo. O coração dele titubeou, houve o enfarte. Tem hora que essas ocasiões me fazem pensar em ser cada vez menos agnóstico para ser cada vez mais ateu... Pois desculpem-me a falta de puritanismo, mas vaso que é ruim eu não vejo nem triscar...
Para quem quiser conhecer mais o trabalho herdado dele por nós, visite a página do cara enquanto ainda esta no ar com algumas obras dele, sabe lá até quando que vai ficar na rede: http://claudepiron.free.fr/ (em esperanto e francês)
Também pode digitar "Claude Piron" no Youtube, no Google...
E no mais, VAMOS ESTUDAR! Me desculpem por ser tão áspero hoje e compor um texto carregado de pessoalidades, mas ainda não estou acreditando no fato. Estamos carentes de Williams Aulds, Claudes Pirons, Elviras Fontes, Pouls Thorsens, Franciscos Lorenzs, Franciscos Almadas, entre outros. Espero que você, leitor ou leitora deste texto, possa se deliciar nas obras de Piron, em seus vídeos que o deixaram imortalizado (apesar do caráter limitado pelo tempo), e assim se inspirar para agir em seu próprio aprendizado do esperanto concomitantemente com sua popularização. Estou tentando reunir minhas forças para ontem, e você?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Musiquinha "Lernu Esperanton"

Essa vinheta foi feita pelo "Kastora Klubo" da Polônia. A música foi cantada pelo francês (ou como ele gosta de lembrar, de Toulouse!) Jomo. Jomo é um cantor que possui músicas e álbuns em esperanto, mas também canta pelo menos em espanhol, francês, catalão, basco, polonês, e outras línguas eslavas. É casado com uma polonesa, se identifica politicamente como libertário, é poliglota, se mostra alegre em grande parte do tempo, e suas apresentações costumam contagiar o público. Esteve no 41° Congresso Brasileiro de Esperanto (Campinas-SP) onde os participantes tiveram a chance de conhecê-lo. A postagem desta vinheta é para que os iniciantes conheçam uma música simples, com muitas repetições, e fácil de pegar.



Algumas musicas do Jomo podem ser pegas gratuitamente em http://www.musicexpress.com.br/jomo

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Enciclopédia Simpozio

O eminente professor e esperantista Evaldo Pauli, residente no Campeche, fala sobre a Enciklopedio Simpozio. Com muitos anos de esperanto, é um profundo conhecedor da história do esperanto em Santa Catarina e sul do Brasil. O vídeo também mostra Audrin Speck, seu secretário, também esperantista e acadêmico de letras da UFSC. O vídeo foi disponibilizado por Ozias Alves Filho, repórter e esperantista da cidade de Biguaçu.

sábado, 24 de novembro de 2007

Ipernity será traduzido ao mandarim através do esperanto!


Neste 22 de novembro o site de rede de relacionamentos, fotos e blogs Ipernity começou a ser traduzido para o chinês através do idioma esperanto pelo esperantista Zhang Xue Song. Os responsáveis pelo site se entusiasmaram pela novidade dada a eles pela versão em esperanto, já que, no mínimo, não esperavam tal fato.
Segundo informes, 4 dos 5 tradutores capazes de fluência no mandarim não conhecem o inglês nem o francês, mostrando para nós a realidade: tais idiomas não são nem de longe conhecido por todos como dita o senso comum, e o mundo necessita - hoje mais do que nunca devido às intensas relações de comércio e serviços - de um idioma ponte pertencente a nenhum estado e que seja o mais eqüidistante possível entre os idiomas nacionais e étnicos.
É essas constatações do dia a dia que fazem com que sejamos esperantistas. Apesar de que muitas vezes somos taxados de excêntricos, vagabundos, de não termos o que fazer, de nos dedicar algo que consiste num 'inutilitário', temos que nos ater na desmistificação destes fatos e semi, semadi konstante!